Blog da Guaranita

Um nome para ficar de olho: Fernando Cozendey

20 de julho de 2017

Há quem diga que moda é estilo e atitude. Mas para o estilista carioca Fernando Cozendey, de 27 anos, ela vai além, “tem a ver com política, com o nosso direito de ir e vir e de ser quem se é”, diz ele. Não à toa seu trabalho é conhecido pela ousadia estética, pela quebra de barreiras no uso dos materiais e pela alegria presente em cada modelo. “Moda é expressão de uma época.”

Formado em Design de Moda pelo Senai/Cetiqt ele despontou nesse universo em 2009, ao ficar em terceiro lugar no concurso Lycra Future Designers. Mas queria mais. Por que não a primeira posição? O inconformismo acabou se transformando em motor para criar e redefinir as possibilidades do tecido que por muito tempo serviu de base para seus trabalhos.

 

 


Reprodução Fernando Cozendey
Algumas das criações de Fernando Cozendey nos últimos anos. Ousadia e diversão garantidas

 

De 2011 a 2016 foram nada menos do que onze coleções desfiladas na Casa dos Criadores, todas tendo a Lycra como base. O exercício de criatividade tirou o tecido do lugar-comum para utilizá-lo em peças surpreendentes e coloridas que foram parar na TV, com a apresentadora Fernanda Lima, e nos palcos de Anitta, Preta Gil e Gabi Amarantos.

“Meu processo é sempre muito complexo. Assim que apresento uma coleção já começo a pensar o que virá em seguida. Aparecem diversos caminhos – temas – na minha cabeça, que ao longo dos meses vão mudando drasticamente. É estranho, como se vivesse para fazer minhas coleções – tudo gira em torno delas. Mas tem sempre muito a ver com o momento em que me encontro”, explica o estilista.

 


Reprodução Fernando Cozendey
Em 2015, antes de trocar a Lycra pelo jeans, Fernando Cozendey já flertou com o tecido, criando estampas de brim no material elástico

 

Usando modelagens complexas, estruturas da alfaiataria e mescla de tecidos, Cozendey costuma brincar com o tridimensional em maiôs, collants, camisas, calças e macacões que fogem do habitual. Premissas que neste ano também levou para o jeans, tecido surpreendentemente adotado como protagonista nas duas últimas coleções. Resultado de uma bem-vinda união entre a necessidade de respirar e experimentar novas matérias-primas e o desafio lançado pela fabricante com quem fez parceria.

“Tive que expandir minhas técnicas de modelagem e costura e isso foi muito enriquecedor para provar para mim mesmo que sei fazer além Lycra. Mas confesso que ela ainda é meu material preferido”, diz ele, dando pistas do que pode vir pela frente. “Tenho muito respeito por esse material pois nasci com ele”, completa.

 


Reprodução Vogue
A coleção verão 2018 deixou pela primeira vez a Lycra de lado para trabalhar com jeans

 

Monocromática, a coleção verão 2018, não à toa batizada "Ar", abusou de diferentes estonagens e lavagens no jeans, que também deu origem a uma linha de acessórios com viseiras, bolsas e pochetes. Iniciativa que curiosamente veio após a criação de uma bolsa pra lá de divertida para a Melissa, durante o Carnaval deste ano, a Teta (é claro que um body estampado nada convencional também fazia parte da parceria.)

 


Reprodução Melissa
Coleção feita para Melissa, com bolsa a Teta e o collant de vaquinha

 

Com um ateliê em Botafogo, no Rio, ele vende suas peças apenas com hora marcada ou em bazares esporádicos em locais diversos. É preciso ficar atento às redes sociais. “Gosto muito do contato direto com meus clientes e creio que esse é o futuro desse mercado. Gosto de ver a reação das pessoas ao vestirem minhas peças.”

 

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