Blog da Guaranita

Mais chita (e cor), por favor

14 de junho de 2017

Colorida, democrática e versátil, a chita é a cara do Brasil. Mas o tecido feito com tramas simples de algodão e estampado com grandes flores em cores fortes e contrastantes – para disfarçar possíveis imperfeições – não nasceu por aqui, como muita gente pensa. Criado durante a Idade Media, na Índia, com o nome de chintz, ele foi trazido ao país por volta de 1800 pela corte portuguesa.

Com os nobres também vieram as festas juninas – nascidas como evento pagão para marcar o solstício de verão, depois readequadas pela igreja católica como comemoração aos dias de São João, São Pedro e Santo Antônio – e a quadrilha, então a principal dança praticada nos salões nobres.

Mas, como tudo que nasce nas elites, as três novidades não levaram muito tempo pra serem absorvidas pelo povo.

 

 


Reprodução: blog Liraby
Com a corte portuguesa vieram a chita, as quadrilhas e as festas de São João. Hoje é impossível desassociar as três heranças no mês de junho

 

 

Com o desenvolvimento da indústria têxtil nacional, a chita logo começou a ser usada amplamente pelas classes trabalhadoras por ser um tecido barato. As festas de São João foram ganhando cada vez mais força, especialmente no Nordeste, onde hoje Campina Grande (PB) e Caruaru (SE) disputam o posto de “Maior São João do Mundo”. E as quadrilhas ganharam versão popular, com os nobres vestidos de seda e tafetá dando lugar a coloridos modelos feitos de chita.

 

 


Reprodução: Reprodução Turismo Sergipe São João de Campina
À esquerda, as cores vibrantes dos grupos de quadrilha que invadem Caruaru durante o São João. À direita, a multidão na Festa Junina de Campina Grande, que garante fazer o Maior São João do Mundo

 

 

Mas o encanto da chita não se limitou às festas populares, não. Ao longo dos anos o tecido se tornou símbolo da cultura popular brasileira, tendo servido de base para coleções de Zuzu Angel na década de 50, Ronaldo Fraga (que chegou a escrever um livro sobre o tecido) e mais recentemente de marcas como Farm, Havaianas e Anbe.

 

 


Reprodução Farm | Anbe
Despida de preconceitos, a chita vem sendo usada por diferentes marcas como Farm (à esquerda) e Anbe (à direita) para criar roupas com a cara do Brasil.

 

 

Versátil, ela pode ser recortada e aplicada sobre outros tecidos para criar peças únicas, revestir almofadas, caixas e sofás para deixar a decoração mais alegre, emoldurada, fazendo as vezes de quadro inusitado ou ainda servir de base para diversos trabalhos artesanais. Basta ver o trabalho incrível que vem sendo realizado em Ouro Preto pelas artesãs da Casa da Chita, que aproveitam as estampas florais como base para fazer bordados únicos que depois são transformados em bolsas, chinelos, carteiras e outros assessórios de delicadeza singular.

 


Reprodução Facebook da Chita
Em Ouro Preto (MG), um grupo de artesãs lideradas por dona Jacira Barros Amorim encanta com bordados sobre chita que viram produtos únicos na Casa da Chita, onde se pode aprender mais sobre o ofício.

 

 


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